Chocolate

Chocolate: uma história rica para um produto maravilhoso

Alimento dos Deuses, sagrado, reservado para nobres, sementes que valiam como moeda de troca... As histórias do cacau e do chocolate remontam a eras muito antigas e são repletas de registros importantes e épicos. O cacau e o chocolate são maravilhas: o cacau, oferecido generosamente pela natureza e pelo divino; E o chocolate criado, desenvolvido e aprimorado pela inventividade da raça humana. A seguir textos condensados sobre o chocolate e sobre importantes passagens da história do chocolate, desde quando era bebida em rituais religiosos até os tempos atuais e seus formatos inusitados de barras, tabletes, bombons e em forma de chocolate jorrando graciosamente na fonte de chocolate ou na cascata de chocolate da Mister Fondue.


A origem do chocolate

As pesquisas indicam que a civilização denominada Olmeca foi a primeira a utilizar o fruto do cacaueiro a 1.500 anos antes de Cristo, mas ainda que os Olmecas habitassem as terras baixas do Golfo do México foram os Aztecas e os Maias que levaram a fama de serem os descobridores do chocolate. Essas antigas civilizações consideravam o chocolate um alimento dos Deuses e o consumiam como bebida em rituais religiosos importantes. Desde aquela época que o chocolate tinha grande valor e era muito desejado, tanto que as sementes do cacau chegaram a ter a função de moeda corrente e usadas como meio de troca.

Chocolate amargo com Baunilha e Pimenta

Nas cerimônias religiosas da antiguidade, o consumo do chocolate era considerado sagrado. As antigas civilizações preparavam uma bebida resultante da torra do cacau com o acréscimo de mel e algumas especiarias, entre as quais baunilha e pimenta. No entanto o resultado era uma beberagem de sabor amargo e forte, porém tonificante e energizante.

O nome científico do chocolate

Nomeado por Carl von Linné - latinizado como Carolus Linnaeus e aportuguesado como Lineu - famoso botânico sueco fundador da moderna sistemática de classificação para plantas e animais, com o nome de Theobroma cacao, que em latim significa "Alimento Divino", o cacaueiro, planta da qual se usa as sementes de seu fruto, o cacau, para produzir o chocolate é uma planta típica de clima tropical.

Os Aztecas e o chocolate

No México os Astecas cultivavam o deus Quetzalcoatl que para eles não só representava a sabedoria e o conhecimento como também foi quem lhes deu o chocolate trazendo consigo do céu as sementes de cacau que iriam gerar posteriormente os frutos e o tão desejado chocolate. Graças a essa crença os Astecas festejavam as colheitas com rituais religiosos, sacrifícios humanos e bastante taças de chocolate.

Os Maias e o chocolate

Por volta de 600 antes de Cristo os Maias estabeleceram plantações de cacau em Yucatan e na Guatemala e utilizavam o cacau para produzir uma bebida fria e espumante que denominavam tchocolath que era servida em rituais e banquetes.

Os Espanhóis e o chocolate

As sementes de cacau foram levadas pela primeira vez para a Europa por volta de 1502 pelo navegador e explorador Cristovão Colombo que juntou as sementes do cacaueiro nas riquezas que levou ao Rei de Espanha, Fernando II. Em 1519 outro espanhol, Hernando Cortez, se interessou pelo cacau não pelo seu sabor - naquela ocasião os espanhóis achavam o cacau amargo e gorduroso, mas pelo seu valor comercial já que o cacau era utilizado no México como moeda de troca e assim, em nome da coroa espanhola, começou a plantar cacau para servir de moeda em transações comerciais.

Ao voltar para a Espanha em 1528 Cortez trouxe novamente sementes de cacau, mas incluiu também as ferramentas necessárias para transformar as sementes e preparar o chocolate. Em pouco tempo mais e mais espanhóis passaram a consumir chocolate agregando a este açúcar e outros adoçantes naturais para tornar o chocolate menos amargo e mais palatável ao gosto dos europeus.

Ao passarem a tomar o chocolate líquido quente e adoçado, a bebida começou a agradar cada vez mais e a ocupar um importante espaço no gosto da elite espanhola. A Espanha inclusive, foi o primeiro país na Europa onde o chocolate quente tornou-se uma bebida favorita, inicialmente entre os aristocratas e depois entre toda a população. E graças ao cacau plantado por Cortez, a Espanha teve assegurado por quase cem anos o monopólio do comércio de grãos do cacau.

O casamento do rei Luis XIV e o chocolate

Em 1615, quando a princesa espanhola Ana da Aústria foi para a França com a finalidade de se casar com o rei Luis XIV, levou consigo sementes de cacau e uma equipe de especialistas em preparar o chocolate que ela tanto adorava. Ao servir chocolate quente para a nata da nobreza européia, em seu casamento em Versalhes, a espanhola Ana da Aústria foi imediatamente alçada à condição de embaixadora informal do chocolate, que logo passou a fazer parte de rituais sofisticados da nobreza francesa.

Os Monges e o chocolate

Enquanto era apreciado e difundido pelo nobres europeus o chocolate foi sendo adaptado ao paladar dos novos consumidores e surgiram então as primeiras inovações: os monges melhoraram o processo de moagem das sementes e começaram a produzir os primeiros chocolates em barra que serviam inicialmente apenas para serem dissolvidos em água.

Os Ingleses e o chocolate

Com o conhecimento do chocolate crescendo em toda a Europa, outros países começaram a plantar cacaueiros em suas colônias tropicais, onde o clima era favorável à planta. Os ingleses plantaram nas Índias Ocidentais, em localidades como Trinidad e Jamaica, entre outras.

Por volta do ano de 1700 as "Chocolate Houses" (Casas de Chocolate) começaram a se tornar populares em Londres, pois com o aumento na produção e oferta, os preços cairam e degustar uma xícara de chocolate quente deixou de ser privilégio exclusivo dos ricos. A revolução industrial e a consequente invenção de máquinas para o manuseio e preparo do chocolate, contribuíram ainda mais para que os preços do chocolate fossem reduzidos, tornando a bebida ainda mais acessível para as classes populares inglesas.

Os Americanos e o chocolate

Os ingleses levaram o chocolate para o "Novo Mundo" e em 1765 foi fundada a primeira fábrica de chocolate em solo americano, em Massachusets - que na época ainda era colônia inglesa. A partir da criação da fábrica o gosto pelo chocolate se difundiu em toda a América do Norte, onde, no século XX, as fontes de chocolate e cascatas de chocolate se tornaram populares e "ganharam o mundo".

A introdução do açúcar

A história indica que em 1847, uma firma inglesa de nome Fry & Sons, criou a base da receita moderna do chocolate, ao adicionar açúcar e manteiga de cacau ao liquor e dessa forma permitiu que o chocolate fosse oferecido também em barras comestíveis.

Os Holandeses e o chocolate

Os Holandeses, também colonizadores, plantaram mudas de cacau em suas colônias no Extremo Oriente, onde atualmente é a Indonésia. Logo Amsterdã tornou-se um importante centro de importação de cacau na Europa, condição que se mantêm até os dias de hoje, na qual 15% da produção mundial de cacau passa pela capital holandesa, sendo metade destinada a própria produção no país e o restante enviado para outros países europeus.

Os Holandeses e a manteiga de cacau

A Holanda também é a responsável pelo surgimento da manteiga de cacau graças à capacidade inventora de Conrad Van Houtten, que em 1628 descobriu o método pioneiro de extrair gordura dos grãos de cacau moídos e transformá-la (a gordura) em manteiga de cacau. Conrad também criou o cacau em pó ao extrair totalmente o líquido dos grãos de cacau que, secos e duros, eram moídos até se transformar em um pó que se dissolvia facilmente na água quente.

A prensa de Conrad

Procurando uma maneira de obter uma bebida de chocolate menos espessa que as existentes, Conrad Van Houtten criou uma prensa hidráulica que tornou possível extrair manteiga de cacau a partir do liquor que deixava de um lado a gordura branca que se solidificava e de outro o restante do processo de pressão que era transformado em pó.

Logo se percebeu que o pó de cacau de Conrad Van Houtten, dissolvido na água quente e misturado com açúcar, gerava uma bebida saborosa e suave, com o sabor e o aroma do chocolate e consistência agradável.